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Do balcão à inteligência artificial: Edilson Neves viu o varejo se transformar

Após 35 anos no setor, o executivo reflete sobre tecnologia, liderança e empreendedorismo — e defende que a inovação deve melhorar a vida das pessoas.

30/09/2026 às 17h11 Atualizada em 30/09/2026 às 18h08
Por: Redação Fonte: Portal Rio de Janeiro
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Divulgação
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A trajetória de Edilson Neves no varejo começou aos 14 anos, quando fichas e catálogos faziam parte da rotina de trabalho. Trinta e cinco anos depois, o setor é movido por smartphones, dados e inteligência artificial. Ao longo desse caminho, ele acompanhou mudanças profundas e precisou se adaptar a diferentes formas de trabalhar, vender e liderar.

Essa experiência foi o fio condutor da entrevista ao Portal Rio de Janeiro, que reuniu o executivo e o colunista Davis Reis para uma conversa sobre inovação, mercado de trabalho e desenvolvimento humano. Mais do que falar de novidades, Edilson refletiu sobre o que permanece essencial em meio a tantas transformações: aprender continuamente e não perder de vista as pessoas.


"Aprender continuamente e não perder de vista as pessoas." 

 

O poder que cabe na palma da mão

Para Edilson, uma das grandes mudanças das últimas décadas não foi apenas o avanço dos equipamentos, mas a transferência de poder para o usuário. O smartphone concentrou em um único aparelho recursos que antes eram distantes ou dependiam de estruturas específicas, como comunicação, acesso à informação e serviços bancários.

No varejo, essa transformação aparece tanto na experiência de quem compra quanto nos bastidores das empresas. Processos de estoque e logística, antes mais manuais, ganharam agilidade com ferramentas digitais. Na avaliação do executivo, acompanhar esse ritmo é decisivo para que as empresas mantenham a competitividade — mas adotar tecnologia apenas por acompanhar uma tendência não basta. Ela precisa resolver problemas reais.

Esse princípio também orienta sua visão sobre a inteligência artificial. Edilson vê potencial em aplicações que ajudam a organizar operações, como a roteirização de equipes, e que podem apoiar análises em áreas como a saúde. O objetivo, defendeu, deve ser ampliar a eficiência e ajudar a identificar problemas com mais agilidade, sem substituir o julgamento de profissionais.

 

Inovação acessível e o exemplo da Xiaomi

A conversa sobre a Xiaomi levou o debate ao universo dos produtos conectados. Edilson falou sobre a presença da marca no Brasil e os desafios de adaptar produtos ao mercado local, entre eles tributação, homologação na Anatel e características específicas do país. Também mencionou que a empresa oferece cerca de 800 produtos no Brasil, de um portfólio global de aproximadamente 3 mil itens, e citou participação de 19% no mercado nacional de smartphones. Os números foram apresentados durante a entrevista e não vieram acompanhados de fonte ou período de referência.

 

A estratégia da Xiaomi ajuda a dar contexto à visão apresentada por Edilson. A empresa declara ter como propósito tornar a tecnologia de qualidade acessível a todos e afirma buscar produtos inovadores, com preços honestos, para que mais pessoas possam desfrutar de uma vida melhor. Sua visão é “fazer amizade com os usuários e ser a empresa mais querida em seus corações”, apoiada, segundo a própria companhia, em inovação, experiência de qualidade e eficiência. A aproximação com a reflexão de Edilson é clara: para ele, a tecnologia também precisa ir além da novidade e produzir benefícios concretos para as pessoas.

 

Esse olhar também se aplica à Internet das Coisas, que conecta aparelhos e sensores para automatizar tarefas e facilitar a rotina. Balanças, câmeras e eletrodomésticos podem integrar um ambiente doméstico conectado, com aplicações que vão do monitoramento da saúde à segurança. A conveniência, no entanto, vem acompanhada de perguntas importantes sobre privacidade e uso responsável dos dados.

 

A experiência também faz parte da inovação

Ao falar do mercado de trabalho, Edilson chamou atenção para a importância de integrar gerações. A agilidade de profissionais mais jovens pode se somar à experiência acumulada por quem está há mais tempo no mercado. Para ele, o desafio das empresas é criar espaço para essa troca, sem transformar diferenças de idade em barreiras.

A automação tende a mudar tarefas e funções, principalmente aquelas mais repetitivas, mas isso não significa que o trabalho humano perca valor. Sensibilidade, capacidade de relacionamento e discernimento continuam fundamentais — e podem se tornar ainda mais importantes à medida que sistemas e máquinas assumem parte das rotinas.

Essa visão também aparece na maneira como o executivo entende a liderança. Em vez de um chefe que apenas determina, ele defende uma postura que combina metas claras, responsabilidade e trabalho em equipe. Ao mencionar uma definição do professor Vicente Falconi, resumiu:


“Liderar é bater metas consistentemente com o time, fazendo o que é certo.”
— Vicente Falconi

 

Edilson também diferencia treinamento, voltado às tarefas e rotinas do trabalho, de desenvolvimento, que contribui para a formação mais ampla das pessoas. Para ele, liderar não é apenas cobrar resultados: é ajudar a equipe a crescer e estar preparado para apoiar essa transformação.

 

Empreender exige preparo — e espaço para tentar

As ferramentas digitais também abriram novas possibilidades para pequenos negócios. Recursos que ajudam a analisar resultados financeiros, organizar informações e criar lojas virtuais podem dar a empreendedores de menor porte instrumentos antes mais associados a grandes empresas.

Mas ter acesso às ferramentas não elimina os desafios de empreender. Edilson alertou para os riscos de começar um negócio sob pressão financeira imediata, sem tempo ou recursos para planejar e testar ideias. Persistência é importante, mas preparo e fôlego para atravessar as primeiras dificuldades também contam.

Davis Reis complementou essa reflexão ao observar que a necessidade de gerar receita rapidamente pode reduzir o espaço para experimentação e desenvolvimento de produtos. Ter conhecimento técnico, estratégia e alguma margem para investir pode fazer diferença para que uma empresa avance e sustente a inovação.

 

O Rio na construção do futuro

O Rio de Janeiro pode contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do país, desde que inovação, sustentabilidade e acesso caminhem juntos. A cidade tem potencial para transformar conhecimento e criatividade em oportunidades, fortalecer pequenos negócios e ampliar o acesso a serviços.

Esse avanço depende de planejamento e de soluções que atendam às necessidades da população em diferentes territórios — do transporte à segurança e aos serviços públicos.


"São as pessoas, com experiência e disposição para aprender, que fazem da tecnologia uma ferramenta de desenvolvimento."

 

Após 35 anos acompanhando a transformação do varejo, Edilson reforça que tecnologia, por si só, não constrói o futuro. No Rio, o potencial de colocá-la a serviço das pessoas pode se traduzir em mais qualidade de vida e oportunidades compartilhadas.

Sobre Edilson Neves
Com 35 anos de experiência no varejo, Edilson Neves acompanhou de perto as transformações do setor e reflete sobre tecnologia, liderança e empreendedorismo.
Conheça mais sobre sua trajetória no LinkedIn: Edilson da Silva Neves

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