Há histórias que a sociedade costuma contar pelo fim: a perda do emprego, o afastamento da família, a dependência química, a situação de rua. Mas, para o Pastor Vanderson, uma pessoa não pode ser resumida ao capítulo mais doloroso de sua trajetória.
“Eu procuro fazer por outras pessoas aquilo que um dia fizeram por mim: acreditar que ninguém precisa ser definido pelo seu pior momento”, afirma.
A frase resume a visão que, segundo ele, orienta seu trabalho social. Vanderson conta que também enfrentou dificuldades e que a fé teve papel importante em sua própria trajetória. Desde 2007, relata atuar com pessoas em situação de vulnerabilidade. No ano seguinte, começou uma ação mais direta na região conhecida como Cracolândia, oferecendo alimentos e roupas, corte de cabelo e apoio espiritual.
A ajuda imediata era necessária. Mas, com o tempo, conta, ficou claro que atender uma necessidade daquele dia não respondia a todas as dificuldades de quem buscava uma mudança. “Não bastava apenas entregar uma refeição: era preciso oferecer uma oportunidade de mudança de vida”, relata.
É desse entendimento que ele diz ter surgido a atuação que hoje desenvolve à frente da Missão Beneficente Bom Samaritano e da Comunidade Terapêutica R3, em São Gonçalo. A proposta, segundo Vanderson, envolve acolhimento, recuperação, retomada de vínculos, espiritualidade, capacitação e reinserção social.
Quando a dependência química entra na vida de uma pessoa, seus efeitos podem alcançar muito além dela. Relações familiares podem ser atravessadas por medo, cansaço e incerteza; projetos podem ficar suspensos; e a convivência pode se tornar difícil para todos os envolvidos. Cada trajetória é diferente, mas a dor raramente fica restrita a uma única pessoa.
Vanderson fala a partir da experiência que relata ter acumulado no trabalho social. Sua mensagem não é a de que a mudança seja simples ou garantida, mas a de que alguém não deve ser tratado como se já não houvesse possibilidade de futuro.
Essa perspectiva também importa quando se pensa na juventude. Jovens precisam encontrar adultos, famílias, instituições e comunidades capazes de oferecer orientação e apoio antes que o isolamento pareça a única saída. Mas é importante não atribuir à R3 um trabalho específico com adolescentes: as informações disponíveis não confirmam se a instituição atende jovens nem informam a faixa etária das pessoas acolhidas.
O que a fala do pastor propõe, de forma mais ampla, é uma reflexão sobre como a sociedade recebe quem enfrenta uma situação de vulnerabilidade. Uma pessoa pode precisar de limites e responsabilidade, mas também precisa ser tratada com dignidade. Cuidar não é ignorar a gravidade de um problema; é não transformar esse problema na identidade inteira de alguém.
Na R3, segundo Vanderson, o acolhimento convive com rotina, regras e responsabilidades. Música, esporte, espiritualidade, trabalho e atividades sociais fazem parte da proposta descrita por ele. “A disciplina não existe para humilhar ninguém”, afirma. “Ela existe para ensinar novamente aquilo que a dependência muitas vezes destruiu: compromisso, responsabilidade, respeito e capacidade de viver em comunidade.”
A instituição se define como cristã, e Vanderson diz que a fé pode ser uma fonte de esperança durante o processo. Em sua visão, a espiritualidade se soma à convivência e à reconstrução de responsabilidades. Os detalhes sobre a equipe, os serviços oferecidos e os protocolos de atendimento, porém, precisam ser confirmados diretamente com a instituição antes da publicação.
Falar em recomeço pode soar inspirador, mas também exige cuidado. A recuperação não deve ser apresentada como resultado de uma decisão isolada, nem como um caminho igual para todas as pessoas. Ela pode envolver diferentes necessidades e requer orientação adequada. O relato de Vanderson destaca o papel do acolhimento e das oportunidades, mas não substitui informações profissionais sobre tratamento e saúde.
Para o pastor, a reconstrução também passa por recuperar vínculos, aprender e encontrar possibilidades de trabalho. Ele defende que empresas, profissionais e educadores possam contribuir com cursos, palestras, capacitações e oportunidades profissionais.
“Às vezes, o que uma pessoa precisa para não voltar às drogas não é apenas uma palavra de incentivo. É alguém dizer: ‘Eu acredito que você pode trabalhar e vou lhe dar uma oportunidade’”, afirma.
A frase desloca a conversa do incentivo abstrato para uma questão concreta: o que acontece depois que alguém tenta mudar? Sem oportunidades, a pessoa pode continuar sendo vista pelo passado, mesmo quando busca outro caminho. Por isso, a reinserção não depende apenas do esforço individual. Também envolve a disposição de famílias, empresas e comunidades para abrir espaço, oferecer aprendizado e avaliar alguém pelo que pode construir — não apenas pelo que viveu.
Vanderson relaciona essa reinserção à vida familiar e comunitária. Essa avaliação é dele, baseada na experiência que relata; o material recebido não apresenta dados independentes para medir os resultados da atuação da R3 nem para comprovar impactos na economia ou na segurança pública.
A família pode viver uma mistura difícil de sentimentos: preocupação, afeto, frustração, esperança e exaustão. Não existe uma frase capaz de resolver esse sofrimento, e nenhuma família deveria ser responsabilizada sozinha por uma situação complexa.
Vanderson reconhece o peso vivido por quem acompanha uma pessoa em situação de dependência química e recomenda que familiares busquem orientação. “A família não deve enfrentar a dependência sozinha”, diz. Ele sugere conhecer as instituições, conversar com as equipes e compreender qual encaminhamento pode ser adequado para cada caso.
Essa orientação merece ser acompanhada de informação prática. Antes de procurar qualquer serviço, é importante que as famílias possam conhecer a proposta, a estrutura, os profissionais envolvidos e as formas de atendimento. No caso da R3, esses dados não foram detalhados no material disponível e devem ser apurados com a instituição.
A continuidade do trabalho é outro desafio mencionado pelo pastor. Segundo ele, a manutenção da R3 depende principalmente da sociedade civil, de voluntários, colaboradores e parceiros. Vanderson afirma que a instituição não conta com convênio municipal ou estadual que sustente sua estrutura e cita despesas com alimentação, água, energia, manutenção, materiais e profissionais.
A colaboração, diz, não precisa se limitar a uma doação financeira. Pode envolver compartilhar conhecimento, oferecer capacitação, doar equipamentos ou abrir oportunidades profissionais. “Quando muitas pessoas fazem um pouco, conseguimos fazer muito”, afirma.
A fala aponta para uma responsabilidade coletiva, mas também torna necessário informar com precisão como a instituição funciona, quais necessidades são prioritárias e de que forma os apoios são utilizados. Transparência ajuda o público a compreender o trabalho e permite que a contribuição seja feita com confiança.
Às famílias que atravessam momentos difíceis, Vanderson deixa um apelo: “Eu diria para essa mãe: não desista do seu filho”. Ele reconhece que a situação pode machucar e desgastar quem está por perto, mas insiste na importância de buscar ajuda e orientação.
“Enquanto houver vida, existe possibilidade de recomeço”, resume.
A frase não garante que tudo será fácil, nem que uma instituição, sozinha, possa resolver uma realidade complexa. Ela expressa a convicção que sustenta o trabalho descrito por Vanderson: uma pessoa merece ser acolhida sem que sua pior fase se transforme em sentença definitiva.
Talvez seja aí que a missão de cuidar encontre seu sentido mais profundo. Não em prometer que a dor desaparecerá, mas em se recusar a tratar alguém como caso perdido; em lembrar que a mudança precisa de apoio, acompanhamento e oportunidades; e em construir, junto com a pessoa e sua rede, condições para que o futuro não seja apenas uma repetição do passado.
Instagram informado pela instituição: @r3.comunidadeterapeudica