A praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, será palco de um mutirão de limpeza e conscientização ambiental neste sábado (19). A ação faz parte do Dia Mundial da Limpeza, movimento internacional que reúne voluntários em diferentes países e territórios para chamar a atenção para o descarte adequado de resíduos e a preservação do meio ambiente.
No Rio, a concentração será realizada a partir das 8h, em frente ao Hotel Copacabana Palace. A participação é gratuita e aberta a moradores, estudantes, empresas, organizações e demais interessados.
A mobilização é coordenada nacionalmente pelo Instituto Limpa Brasil, que definiu para este ano o conceito “Seja os 5% que vão transformar o mundo”. A proposta é estimular a participação da sociedade em ações de limpeza urbana e ampliar o debate sobre consumo consciente, responsabilidade compartilhada e destinação correta dos resíduos.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento da produção de resíduos sólidos urbanos em todo o mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) citados pelo Instituto Limpa Brasil, são geradas atualmente entre 2,1 bilhões e 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano.
A estimativa é que esse volume possa chegar a 3,8 bilhões de toneladas anuais até 2050, caso não sejam adotadas mudanças nos padrões de produção, consumo e descarte.
O desafio não está apenas na quantidade de resíduos produzidos, mas também na coleta, na reciclagem e na destinação adequada dos materiais. Quando descartados irregularmente, resíduos podem contaminar o solo e a água, prejudicar a fauna marinha, entupir redes de drenagem e contribuir para a ocorrência de alagamentos.
De acordo com informações divulgadas pelo Instituto Limpa Brasil, cerca de 920 mil voluntários participaram das ações realizadas no país em 2025. Naquele ano, aproximadamente 3.460 toneladas de resíduos foram recolhidas durante os mutirões.
Na cidade do Rio de Janeiro, as ações realizadas no período resultaram na coleta de mais de 731 quilos de resíduos, segundo a organização.
Para 2026, o instituto estabeleceu a meta de reunir 1,5 milhão de participantes em todo o Brasil. A organização também pretende alcançar 11 milhões de brasileiros mobilizados até 2030, número equivalente, segundo o Instituto, a cerca de 5% da população do país.
Para Edilainne Muniz, diretora executiva do Instituto Limpa Brasil, a proposta é fazer com que a mobilização produza efeitos para além do dia do evento.
“Acreditamos que não é preciso esperar que 100% da população mude para transformar o planeta. Quando 5% das pessoas decidem agir, elas influenciam famílias, escolas, empresas, comunidades e governos.”
O Dia Mundial da Limpeza teve origem em uma mobilização realizada na Estônia, em 2008. Na ocasião, aproximadamente 50 mil voluntários participaram de uma ação que promoveu a limpeza do país em cinco horas.
A iniciativa inspirou campanhas semelhantes em outras partes do mundo. Em 2018, foi realizado o primeiro World Cleanup Day, reunindo participantes de 157 países, conforme dados divulgados pelo Instituto Limpa Brasil.
Atualmente, a organização afirma que o movimento já alcançou mais de 212 países e territórios.
No Rio de Janeiro, os participantes deverão receber luvas, sacos para a coleta e orientações sobre segurança, separação dos materiais e destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
A organização também informa que os voluntários poderão obter certificado de participação com horas de atividades complementares, conforme as condições estabelecidas para a ação.
A mobilização conta com o apoio e a participação de instituições como a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), a UNINASSAU RJ, a Subprefeitura da Zona Sul, a Rio Ocean Week e o Movimento Revolução das Bitucas.
A ação pretende transformar a limpeza da praia em um momento de mobilização coletiva. Mais do que recolher resíduos, o objetivo é incentivar mudanças de comportamento e reforçar que a preservação dos espaços públicos depende da participação contínua da sociedade.