
O Centro do Rio de Janeiro é um verdadeiro museu vivo — e seus bares centenários são as salas onde a história se mistura com o sabor. Entre balcões de madeira, azulejos antigos e garçons que conhecem os clientes pelo nome, esses lugares resistem ao tempo e mantêm viva a essência da boemia carioca.
Mais do que pontos de encontro, são patrimônios culturais que testemunharam gerações de sambistas, jornalistas, políticos e poetas. Cada copo de chope servido carrega um pouco da alma do Rio.
Fundado em 1887, o Bar Luiz é um dos mais antigos da cidade e um ícone da gastronomia germânica. Localizado na Rua da Carioca, mantém o charme dos tempos do Império, com cardápio que inclui salsichas, chucrute e o famoso kassler. O chope é tirado com maestria, e o ambiente conserva o espírito acolhedor de um verdadeiro bar europeu — mas com alma carioca.
Aberto em 1874, o Lamas é mais do que um bar — é um ponto de encontro histórico. De Machado de Assis a Vinicius de Moraes, o local recebeu gerações de artistas e pensadores. Localizado no Largo do Machado, mantém o estilo clássico, com garçons de gravata e pratos tradicionais como o filé à Oswaldo Aranha. É o tipo de lugar onde o tempo parece não passar.
Na Lapa, o Bar Brasil é um marco da boemia carioca. Fundado em 1907, conserva o estilo germânico e o ambiente familiar. O chope é considerado um dos melhores da cidade, e o cardápio mistura tradição alemã com tempero brasileiro. Aos sábados, o som do samba invade o salão, e o clima é de pura celebração.
Desde 1903, a Nova Capela é parada obrigatória na Lapa. O cordeiro assado com arroz de brócolis é o prato mais famoso, servido até altas horas. O bar já foi frequentado por nomes como Pixinguinha e Cartola, e continua sendo ponto de encontro de músicos e jornalistas. É o tipo de lugar onde o samba e o chope se encontram naturalmente.
Instalado em um casarão histórico, o Antigamente é um dos bares mais charmosos do Centro. Com decoração retrô e programação musical variada, o espaço celebra o samba e a MPB. O cardápio mistura petiscos clássicos e pratos contemporâneos, e o ambiente é uma viagem no tempo — onde cada parede conta uma história.
Esses cinco endereços são mais do que locais para beber e comer: são símbolos da resistência cultural carioca. Em meio à modernização do Centro, eles preservam o espírito de uma cidade que valoriza o encontro, a conversa e o prazer de estar à mesa.
Entre o tilintar dos copos e o som do pandeiro, o Rio reafirma sua vocação para celebrar a vida — sempre com um chope gelado e uma boa história para contar.
Melhor horário: fim de tarde e início da noite.
Prato imperdível: cordeiro da Nova Capela e kassler do Bar Luiz.
Bebida clássica: chope bem tirado.
Ambiente: histórico, acolhedor e cheio de memórias.
Mín. 19° Máx. 23°