
O som das máquinas de solda se mistura ao riso das costureiras, e o cheiro de tinta fresca invade os galpões da Cidade do Samba. Nos barracões, o Carnaval 2027 já pulsa — não apenas como espetáculo, mas como vida comunitária.
Velha guarda: “Aqui não é só trabalho, é história”, diz Dona Maria, baiana da Mangueira há mais de 40 anos. Ela visita o barracão para acompanhar a confecção das fantasias, lembrando que cada pluma carrega a memória de quem já desfilou.
Baianas: Muitas ajudam a orientar jovens costureiras, transmitindo técnicas e valores que mantêm viva a essência da escola.
Nos barracões, enquanto escultores e costureiras dão forma ao espetáculo visual, é nas quadras que pulsa o verdadeiro coração das escolas: as baterias.
Conhecidas como “a cozinha do samba”, as baterias são responsáveis por manter o compasso que guia alas, carros e cantores.
Cada ensaio é uma explosão de energia: repiques, surdos e tamborins se unem em uma sinfonia popular que contagia até quem apenas passa pela rua.
Muitos ritmistas aprendem desde cedo, acompanhando pais e avós. “Aqui não é só música, é família”, conta Carlos, integrante da bateria da Mangueira.
A disciplina é rígida: ensaios semanais, marcação de passos e até exercícios físicos para aguentar o ritmo da avenida.
Portela aposta em arranjos ousados, misturando tradição com batidas modernas.
Viradouro prepara paradinhas coreografadas para arrancar aplausos da Sapucaí.
Grande Rio foca na precisão, buscando conquistar jurados com técnica impecável.
Sem elas, o desfile não acontece. São o fio condutor que une canto, dança e espetáculo visual. Mais do que música, as baterias representam a alma coletiva das escolas — o som que ecoa a identidade de cada comunidade.
Carnavalescos: Com pranchetas e maquetes, eles circulam entre escultores e pintores, ajustando detalhes. “O barracão é o coração da escola”, afirma Paulo, carnavalesco da Viradouro.
Artesãos: Muitos são moradores da comunidade, que encontram no Carnaval não apenas emprego, mas orgulho. “Cada solda que faço é um pedaço da minha escola na avenida”, conta João, soldador da Portela.
Aprendizes: Jovens que crescem vendo seus pais e avós no barracão agora assumem funções. Alguns aprendem bordado, outros pintura. Para eles, é mais que trabalho: é continuidade de uma tradição.
Ensaios comunitários: Enquanto os carros ganham forma, nas quadras os jovens se preparam para cantar e dançar, reforçando o elo entre barracão e avenida.
Nos bastidores, o Carnaval é feito de mãos calejadas, olhos atentos e corações apaixonados. Cada fantasia bordada, cada carro pintado, carrega não apenas o enredo oficial, mas também histórias pessoais de luta, alegria e pertencimento.
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